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Hedge: evite “pular da frigideira e cair no fogo”, avalie adotar a hedge accounting

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

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(Shutterstock)

Por Edmílson Patrocínio 

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Nos tempos atuais, os ambientes de negócios, repletos de dinamismo, oferecem diversos riscos e isto requer atenção por parte dos gestores para proteger o negócio (core business) de questões aderentes.  Como um sistema aberto, as empresas estão expostas a alterações inesperadas nos preços de mercado de seus produtos e insumos.

Em termos gerais, o risco de mercado expõe as empresas à possibilidade de perdas por inesperada variação no preço de insumos e produtos (commodity price risk); de taxas de câmbio (currency risk); de taxas de juros (interest rate risk); e/ou de desvalorização de investimento em outras empresas (equity risk).

Variações em preços e taxas de juros trazem volatilidade aos resultados corporativos. Dado que o mercado interpreta maior volatilidade como sinônimo de maior risco, isto pode influenciar negativamente o preço de suas ações no mercado de capitais. Assim, os gestores precisam estar atentos a tais riscos.

Consequentemente, a gestão de riscos corporativos está na pauta atual e os instrumentos financeiros constituem uma importante ferramenta para este fim. A utilização de instrumentos financeiros para proteger a empresa contra é denominada de hedge, ou operação de cobertura.

Para ilustrar, suponha o caso em que um importador firme pedido de determinada commodity, a ser recebida em alguns meses e com preço já fixado em moeda estrangeira. Em tal situação, para se proteger de inesperada alta na taxa de câmbio, o comprado pode entrar em um contrato a termo de compra de moeda (non deliverable forward – NDF) e, assim, limitar sua exposição a determinada taxa de câmbio.

Efetivamente, este uso de NDF elide que oscilação inesperada na taxa de câmbio imponha volatilidade ao custo e ao resultado da empresa. Porém, pelas normas contábeis, o passivo desta compra só será registrado quando a commodity for recebida. Por outro lado, a NDF deve ser de pronto contabilizada e periodicamente ajustada por seu valor justo (esta é a determinação para instrumentos financeiros derivativos).

Neste caso, a assimetria entre o tratamento contábil do item protegido (variação cambial) e o do instrumento financeiro (NDF) produzirá o efeito indesejável de trazer volatilidade para o resultado da empresa. Em uma expressão popular, a gestão “pulou da frigideira e caiu no fogo”.

Para evitar situações como esta, a norma contábil prevê a contabilidade de hedge. Esta técnica contábil (hedge accounting) objetiva alinhar o tratamento contábil do item objeto de hedge e o do instrumento financeiro designado como instrumento de proteção e, assim, evitar que haja volatilidade indevida no resultado empresarial. Portanto, se a sua empresa faz hedge, deveria considerar adotar hedge accounting. “Pulando da frigideira, é melhor cuidar para não cair no fogo”.

Edmílson Patrocínio de Sousa é Doutor em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP, Contador pela UNEB, Professor da FIPECAFI, autor do livro Contabilidade de Contratos de Construção de Incorporação Imobiliária, publicado pela Editora Atlas, Grupo Gen. Possui mais de 30 anos de experiência como consultor contábil e atua também como pesquisador, palestrante e parecerista em assuntos relacionados com IFRS, finanças e tributos.

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